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Análise de Óleo

Desafios e Possibilidades para Produtores de Graxas

 16 de maio

Para os produtores de graxas lubrificantes e não quer dizer que para outros segmentos a situação está mais fácil, o primeiro desafio é a mão de obra para produzí-las. Por serem, em sua maioria reações químicas, dependem de um excelente entendimento entre os departamentos técnico e de produção, entre outras variáveis.

Considerando que ainda não há instituições de ensino que capacitem esses profissionais técnicos de maneira que atendam às expectativas das empresas demandantes, porém não descartando todo o acervo de informações que estão fragmentadas pelo mercado, e que precisam ser condensadas de modo a servir de referência aos interessados, há algumas alternativas.

Um bom exemplo disso é o Grupo Técnico de Graxas que se reúne no IBP- Instituto de Petróleo Gás e Biocombustíveis. Vinculado à Comissão de Estudos de Lubrificantes.  Nele se reúnem profissionais especialistas da maioria das empresas produtoras de graxas lubrificantes. Esse grupo trata de assuntos técnicos do segmento, e também tem relação direta com a Comissão de Estudos de Normas de lubrificantes, ligada diretamente a ABNT. Vale informar que essa Comissão tem um trabalho de interface entre IBP e ABNT, em que normas NBR de lubrificantes são revisadas e, se for demandado, até criadas.

A partir de discussões técnicas e muito estudo, as normas são validadas, a partir de um trabalho com normas ISO, ASTM, DIN, ou outra norma que possa servir como referência para os estudos. Vale reforçar, que o trabalho é executado sempre com a participação de especialistas cedidos pelas empresas do segmento.

O espaço no GT de Graxas está sempre aberto para profissionais que queiram participar e contribuir tecnicamente. Já há alguns bons trabalhos realizados e em vigência, até na colaboração para a Resolução ANP número 22/2014, que trata de análises de graxas e novos registro junto à ANP.  Também há a participação de especialistas em regulação da ANP/CPT, profissionais de empresas produtoras de aditivos e consultores, que voluntariamente participam e contribuem para a melhoria constante do segmento.

Na busca dessa constante evolução. Estamos atualmente trabalhando na questão de critérios técnicos que podem interferir na vida útil das graxas. Para tanto, contamos com contribuições de profissionais que participam de reuniões internacionais, que ocorrem periodicamente em diferentes partes. Como no NLGI (sigla em Inglês do Instituto Nacional de Graxas Lubrificantes dos Estados Unidos. E também na ELGI – Instituto Nacional de Graxas Lubrificantes, na Europa, e, por último, estamos interagindo também com a ISO – Organização Internacional de Padronização onde também estão sendo discutidas várias normas para graxas.

Nesse processo, questionamos e debatemos juntos com os representantes do GT. Que difunde o material que é discutido nas reuniões. Essa participação sincronizada entre profissionais técnicos do Brasil e seus pares pelo mundo, tem o firme propósito de manter a todos atualizados quanto às discussões. Não importando onde, mas sempre alinhados, ou ao menos cientes do que está em pauta.

No GT de Graxas temos como objetivo primeiro de fortalecer o contato entre a comunidade técnica e interagir sobre questões eminentemente técnicas. Para além disso,  discutimos questões de tendências para o mercado de graxas e também sobre matérias-primas.

Desafios e Possibilidades para Produtores de Graxas

 

O Lítio está em “frenética” elevação de preço no mercado internacional, e penso que as causas serão tratadas também nesse evento. Traremos mais noticias sobre este assunto, após o evento, para também contribuir com o panorama de nosso setor e a importância do lítio para os produtores de graxa. 

Acima, falávamos sobre a importância da participação do pessoal técnico das empresas em Grupos de Trabalho, enfim, nos fóruns estabelecidos, como espaços de discussão, elaboração e revisão de normas técnicas.

Retomo o tema e, antes, assinalo que a referida participação é útil tanto para o processo de formação e desenvolvimento dos próprios técnicos. Quanto para o fortalecimento de um necessário processo de sistematização das informações e do conhecimento, produzido no cotidiano das empresas. Isso, porque essas reuniões trazem para a formalidade assuntos que, até então, eram tratados apenas internamente.

Ocorre que, por ser um segmento muito particular, os empresários e dirigentes ficavam sem a oportunidade de avaliar se o que era problema de uma empresa não poderia ser também de outras, e que, em conjunto, avaliando a norma de análise, ou discutindo sobre essa ou aquela matéria prima, a solução, afinal, não poderia ser encontrada por meio de padronização de procedimento e, em certos casos, por normatização.

O que, na prática é: sair do conhecimento genérico empírico para o formal e padronizado, o que propicia que se multipliquem e difundam as informações para que essas possibilitem a produção, sistematização e difusão de conhecimento.

Nas discussões técnicas, estamos avaliando e observando algumas análises, que podem ser vistas como principais, para que tenhamos graxas lubrificantes feitas cada vez com maior especialização.

As reuniões foram iniciadas com a discussão sobre a norma ASTM D 4950, que trata sobre classificação e análises, por meio das quais podemos avaliar graxas lubrificantes para uso automotivo. Agora estamos vendo outras que podem incrementar a questão de processo dessas e de outras graxas.

Na prática, se avaliarmos aspectos técnicos que podem interferir na vida útil de graxas lubrificantes, e se estamos tratando de graxas que tem como base sabão de Cálcio ou de Lítio (a maior parte das graxas comercializadas e consumidas), podemos nos debruçar com um pouco mais de atenção sobre algumas análises químicas que dão origem a essas graxas.

Com isso teremos uma base boa, pois com um sabão de graxa bem feito e devidamente equilibrado, estequiométricamente falando, a possibilidade de termos uma graxa com excelente desempenho será muito maior.

Para tal, sem nenhuma pretensão, mas apenas para contribuir, faço aqui duas sugestões: a primeira é fazer análise de saponificação da matéria-prima ácida, seja do acido esteárico ou do ácido graxo, ou outro usado para formar este sabão.  A partir desse resultado, podemos fazer um bom equilíbrio estequiométrico, para então fazermos um balanço de massa, pois assim teremos uma graxa tipo sabão com a parte estrutural bem definida, tomando o cuidado de acompanhar a reação química de saponificação.

É importante fazer avaliações especificas, e, neste caso, cada empresa tem a sua maneira de fazê-lo. Caso tenham interesse, posso encaminhar algumas sugestões para fazer essas avaliações, tanto qualitativa quanto quantitativamente falando, porém importantíssimo. Ao final do processo produtivo, fazer a avaliação da acidez ou alcalinidade desta graxa para aferirmos se estamos com essas matérias primas devidamente reagidas, conforme os cálculos teóricos feitos preliminarmente.

Saiba 3 dicas básicas para a escolha da graxa correta.

Existem outras variáveis que impactam no processo, fora a questão estequiométrica do cálculo. A temperatura, por exemplo. Porém, essa parte é melhor deixar para outros artigos que pretendo disponibilizar aqui, para termos a oportunidade de interação através deste portal. Por aqui, todos podem compartilhar suas experiências e expectativas sobre este ou outros temas.

O seminário de lítio

No II Seminário sobre Lítio-Brasil, promovido pelo CETEM- Centro de Tecnologia Mineral, Coordenação de processos Minerais- COPM – Ministério de Ciência, tecnologia e Inovação – MCTI, foram tratados inúmeros assuntos, porém, com certeza o que vale ressaltar, foi à possibilidade de aumento da demanda do lítio para fabricação de baterias para carros elétricos. O Lítio proporciona às baterias melhores características de densidade de energia (autonomia), densidade de potência (arrancada), desempenho, segurança e custo.

Temos apenas um único fornecedor de lítio, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL). E  90% de sua produção de hidróxido de lítio é consumida somente pela industria de graxas.

Precisamos avaliar e ficar atentos a esse assunto. Pois está ocorrendo um crescimento mundial da demanda por lítio, para atender ao imenso mercado de baterias para celulares e mais recentemente ao mercado crescente de carros elétricos.

As ações que podem ser adotadas para alterar o cenário momentâneo para os fabricantes de graxas dependem de decisões da alta administração das empresas fabricantes de graxas. E em alguns casos, até de ações políticas, se quisermos alguma alteração neste cenário que para os produtores de graxas não é nada favorável, quando se pensa a médio e longo prazo.

Considerando que essas mudanças virão de uma forma ou de outra, resta saber se queremos interagir para podermos contribuir, ou apenas ficarmos passivos e aguardar as consequências. Sofrendo com a menor competitividade no mercado da América do Sul, quando comparamos com graxas vindas de outros mercados que não o Brasil.

Artigo originalmente publicado em: https://www.manutencaopreditiva.com/sem-categoria/utilizando-o-odor-como-ferramenta-de-analise

Comentários:

Pedro Hernandes | 29 de junho
Com certeza Enéias! Caso tenha interesse em continuar lendo, segue: https://www.manutencaopreditiva.com/manutencao/tres-dicas-escolha-graxa-correta

Comentários:

Enéias Costa dos santos | 29 de junho
Podemos dizer que o processo de produção de graxa assemelha-se a uma atividade artística, em grande parte artesanal e que varia de fabricante para fabricante. A experiência conta muito na formulação e produção de graxas, podendo assim reduzir custos de fabricação, mas infelizmente esses artistas da graxa está se esgotando e com isso começa surgir os problemas de produção aumentando o custo das formulações. Concordo que o lítio não poderia custar o valor de hoje mas a experiencia de quem fabrica também está interferindo.

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